“Livro Túneis do Brasil surgiu por um desafio de Guatteri”, conta Tarcísio Celestino Destaque

 Geólogo Giorgio Guatteri faleceu no dia 24 de março, aos 81 anos. Missa de sétimo dia acontece em 1º de abril

Falecido no dia 24 de março deste ano, Giorgio Guatteri deixou um grande legado ao meio técnico, especialmente à comunidade tuneleira. Geólogo formado em Módena, na Itália, Giorgio Guatteri trouxe à engenharia brasileira a tecnologia conhecida hoje como jet grouting. Fundou também a empresa Novatecna, a primeira a se tornar associada corporativa do Comitê Brasileiro de Túneis. 

O engenheiro Tarcísio B. Celestino, presidente da ITA e ex-presidente do CBT, comprova a boa reputação da Novatecna inclusive entre especialistas estrangeiros. "Na África do Sul, em certa reunião que participei como consultor de uma obra com a qual estava envolvido, ouvi de um colega inglês comentários elogiosos à Novatecna por considerá-la uma empresa de qualidade destacada em jet grouting", declara Celestino. "Aquilo, como brasileiro, me deixou orgulhoso. Guatteri, com sua coragem e com a capacidade e o apoio da sua equipe foram decisivos no sucesso da Novatecna". 

Sua relação com o CBT, entretanto, vai além. Uma das mais importantes obras sobre túneis – o livro Túneis do Brasil, lançado em 2006 pelo Comitê – surgiu de um desafio de Guatteri. “Na verdade, o projeto do livro se consolidou a partir do desafio lançado por Guatteri”, conta Tarcísio B. Celestino, presidente da Associação Internacional de Túneis e Espaço Subterrâneo (ITA) e ex-presidente do CBT. 

“Lembro-me muito bem desse dia. Estávamos Guatteri, Akira Koshima e eu – éramos presidente e vice do Comitê na época – conversando na calçada frente à Novatecna. Falávamos sobre a falta de divulgação das nossas obras”, recorda Celestino. “Ele, num tom crítico e construtivo, disse: ‘Por que não fazemos uma obra que reúna isso tudo? Desenvolvemos tanta coisa e não há nenhum registro.’ Tomei aquilo como um desafio”. 

A resposta veio com ação. No mesmo dia, Celestino reuniu uma equipe de engenheiros e geólogos para estruturar a obra. “No CBT, montamos a comissão que ficou responsável pela elaboração do livro. Mas tudo isso nasceu a partir de um desafio dado pelo Guatteri. Não sei, se não fosse por ele, quando e se teríamos feito o Túneis do Brasil”. Depois do desafio, ainda contribuiu muito para o livro com informações e apoio material. Em 2006, quando a obra foi lançada, o geólogo foi homenageado perante toda a comunidade tuneleira presente. 

Incentivo ao diálogo e à inovação

“Giorgio Guatteri era um grande incentivador do Comitê Brasileiro de Túneis”, afirma Akira Koshima, ex-presidente do CBT e gerente técnico da Novatecna. “Ficou muito empolgado quando o professor André Pacheco Assis se tornou o primeiro brasileiro a presidir a ITA em 2000, assim como na segunda vez, quando o professor Tarcísio B. Celestino assumiu a presidência da Associação Internacional”, comenta.

“Guatteri enfatizava também a necessidade de aproximação cada vez maior com a indústria tuneleira – empresas de projetos, de equipamentos, de construção dentre outras. Como empresário, uniu-se ao apoio do engenheiro Sérgio Salvadori, então diretor do Metrô de São Paulo, e juntos atuaram na sustentação dessa iniciativa, ajudando no engrandecimento do CBT”. 

Como técnico, era entusiasta da inovação. Implantou e atuou na consolidação da tecnologia jet grouting no Brasil. Desenvolvida no Japão na década de 70, a tecnologia permite a transformação in situ do solo fraco, com baixas características geotécnicas, em solo tratado muito resistente, melhorando todas as propriedades geotécnicas como coesão, ângulo de atrito, permeabilidade, módulo de deformabilidade, entre outras.

Pela ABMS, foi ganhador do Prêmio José Machado com o trabalho “As Cortinas das Ensecadeiras de UHE Estreito em Jet Grouting” durante o biênio 2010-2012. 

Missa de sétimo dia

A missa de sétimo dia em nome de Giorgio Guatteri acontecerá no dia 1º de abril, a partir das 12h, na Paróquia do Perpétuo Socorro localizada na Praça Honório Líbero, nº 100 em Pinheiros, São Paulo.

O Comitê Brasileiro de Túneis reafirma sua admiração e lamenta a despedida deste grande profissional que, certamente, será lembrado por toda a comunidade técnica.